Para Poder Viver, de Yeonmi Park


O clube do livro Infinistante do mês de Maio trouxe duas opções de livros, e um deles foi o Para poder viver, e eu não tive dúvidas de que queria ler essa história. Já adianto que o livro entrou para a minha lista de favoritos do ano.


Um de meus grandes temores sempre foi perder o controle de minhas emoções. Às vezes eu sentia que a raiva era uma bola muito densa dentro de mim, e sabia que se alguma vez a deixasse sair, ela poderia explodir e eu não conseguiria contê-la. Tenho medo de começar a chorar e nunca mais conseguir parar. Assim, eu sempre preciso manter esses sentimentos bem fundo dentro de mim. Quem me conhece pensa que sou a pessoa mais para cima e positiva que já conheceu. Minhas feridas estão bem ocultas.

Para poder viver é uma autobiografia de uma norte-coreana que desde criança lutou pela sua vida em um país opressor. Yeonmi Park nasceu em Hyesan e lá vivia com seus pais e sua irmã mais velha, a Eunmi. Em seu relato conta como ela viveu e como os norte-coreanos vivem sob a ditadura de um “Líder Supremo”.


Ficha Técnica:
Título: Para Poder Viver| Autora: Yeonmi Park | Ano: 2016 | Páginas: 328 | Idioma: Português | Editora: Companhia das Letras | Gênero: Autobiografia

É difícil imaginar que enquanto muitos estavam tendo momentos felizes, acesso a água, energia, comida, diversão e outras coisas, do outro lado do mundo pessoas estavam passando fome, chegando a ter que comer insetos apenas para encher a barriga, vivendo em condições desumanas.

A autora nos mostra a realidade cruel da vida dos norte coreanos, o tráfego de mulheres na China, e como foi a luta pela sua liberdade. A história se divide em três partes, Coreia do Norte, China e Coreia do Sul. É uma história intensa e emocionante. Eu lia e não conseguia acreditar que mesmo em um ano não tão distante, pois Yeonmi nasceu em 1993, parecia que Yeonmi estava vivendo na época que se quer existia uma televisão. Os norte coreanos não podem assistir a filmes estrangeiros, quando eles conseguiam assistir era por contrabando que vinha da China, mas tudo tinha que ser muito bem escondido, pois se a polícia encontrasse algo indevido, as pessoas eram enviadas para campos de reeducação ou ainda pior, dependendo do crime, por mais simples que fosse, a morte era certa por fuzilamento.


Não tinha ideia do que era um “hobby”. Quando me explicaram que era alguma coisa que eu ficava feliz ao fazer, não pude imaginar tal coisa. Supunha-se que meu único objetivo era fazer o regime feliz. E por que alguém iria se importar com o que eu queria ser quando crescesse? Na Coreia do Norte não havia eu - somente nós.

Depois de conseguir fugir da Coreia do Norte, aos 13 anos, Yeonmi tinha esperança de encontrar a liberdade na China, mas nada disso aconteceu, estava começando mais uma batalha pela sua sobrevivência. É nesse momento da história que sabemos como ela e sua mãe foi traficada para ser vendida.

Eu poderia abordar muitos assuntos importantes sobre o livro, mas a resenha teria que se estender bastante, e é por isso que eu indico que você leia este livro para saber mais sobre a história de uma mulher que não desistiu da sua vida e sempre buscou a sua liberdade, mesmo diante de todas as lutas que passou. Foi um livro que me fez sair da minha zona de conforto e ainda me despertou para um novo olhar sobre a realidade do mundo. É uma história inspiradora e que me deixou emocionada.


Aprendi outra coisa naquele dia: todos temos nossos próprios desertos. Podem não ser iguais ao meu deserto, mas sempre teremos de atravessá-los para encontrar um propósito na vida e para sermos livres.

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