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Vincent, de Barbara Stok

21 outubro 2018

Vincent Van Gogh é o meu pintor favorito, além de amar a sua história, eu amo suas pinturas e as acho de um bom gosto maravilhoso. Não sou uma especialista em arte, apenas gosto de ler a respeito no meu tempo livre.

Recentemente comecei a ler a biografia oficial do Van Gogh, sim aquela de mil páginas da Companhia das Letras, e por sempre dizer que amava o pintor, fui presenteada com essa edição maravilhosa em quadrinhos, que retrata sua história de uma forma bem menor complexa do que a biografia, mas igualmente prazerosa.

Sinopse: 
Vincent van Gogh (1853-1890) e sua mente torturada conceberam uma arte fascinante que transcendeu sua própria história para se tornar um dos mais expressivos e maravilhosos conjuntos de pinturas jamais concebidos. Nesta graphic novel de traços pop originalíssimos, Barbara Stok retrata de forma delicada e luminosa os últimos anos da vida do pintor holandês, passados na França, onde encontrou não apenas seu fim, mas também a natureza e a luz que imortalizou em seus quadros. Em 1888, após uma estadia de dois anos em Paris, Vincent van Gogh muda-se para Arles, no sul da França. A luminosidade, os espaços abertos e as paisagens bucólicas da região, além do próprio contato com a natureza, fornecem ao artista a matéria-prima para aquela que é considerada a fase mais rica e revolucionária de sua arte.  Se por um lado o ambiente o enche de contentamento e esperança, por outro agravam-se seu desequilíbrio e sua angústia, piorados ainda pela falta de dinheiro e de perspectivas concretas de futuro e pela culpa de ser um fardo para o irmão, Theo, que o sustentava financeiramente.  É esse turbulento e rico período, não apenas crucial para a compreensão do gênio Van Gogh como também emblemático de sua existência, que a artista gráfica Barbara Stok retrata, com um colorido e uma singeleza dignos do gênio holandês. Barbara pinta com todas as cores um Vincent humano, com suas ambiguidades e fraquezas. Incorporando sabiamente trechos de cartas escritas ao irmão Theo e telas do próprio pintor, aborda seu processo criativo, suas ideias sobre pintura e a obcecada convicção em sua própria arte, que sempre o guiou. O resultado é um personagem cativante, repleto de nuances, e que emociona por sua arte e também pela pureza da paixão com que a perseguia. 


Vincent foi um ser humano incompreendido e suas obras só foram valorizadas depois de sua morte, o que acaba sendo irônic se formos analisar bem. Nessa HQ, nós temos a chance de conhecer Vincent quando ele se mudou para o sul da frança, onde pôde expandir sua arte devido a todos os recursos que aquele lugar lhe oferecia. No entanto, toda a sua angústia e o seu desequilibrio emocional se agravam. 
Muitos falam que os gênios nascem da dificuldade, talvez seja isso mesmo em relação ao Van Gogh, que além de já ter um desequilibrio emocional, dependida financeiramente do seu irmão e isso pesava muito em sua mente. Todos que conhecem um pouco da história de Vincent, sabe que seus quadros são harmônicos e nos contam coisas tão particulares sobre ele e sobre a sua volta, que é impossível não tentar desvendar o que Vincent pensava quando estava envolvido pelo "sagrado" quando pintava. 

O desequilibrio emocional de Van Gogh foi muito bem representado, pois a autora construiu essa HQ em cima de cartas que Vincent mandou para seu irmão, Theo e, com isso, podemos ver também seu lado super humano e sensível, capaz de deixar qualquer fã muitom ais envolvido com a trama. Por ser uma HQ, a narrativa é muito fácil e tranquila e as ilustrações saltam das páginas de tão vivídas e coloridas que são, representando muito bem quem foi Vincent.
Para quem já leu a biografia completa, sabe que existe MUITA coisa por trás de sua história, desde a sua infância se sentindo deslocado até o seu falecimento, mas essa HQ conta toda a trajetória de vida de Vincent de uma forma muito mais simplista e delicada, o que a torna muito especial. Talvez nem todos conhecem muito bem Van Gogh, alguns apenas estudaram um pouco sobre o pintor na escola, mas para quem tem interesse em desvendar a mente de um artista incompreendido que só se tornou famoso após sua morte, é com certeza um bom começo.

Eu sou muito suspeita para falar sobre esse livro, porque eu amo a história de Vincent e amo o seu trabalho, mas é sempre um prazer enxergar sua vida e obra de uma forma diferente. Suas cartas são simbólicas e cheias de sentimentos e dizem muito sobre quem ele foi. Se você está a procura de conhecer melhor Van Gogh, mas de uma forma mais simplista do que a biografia gigantesca, é um bom começo. Além de conhecer melhor o pintor, irá se deliciar com as ilustrações da talentosa Barbara. 

A Magia do Silêncio, de Kankyo Tannler

14 outubro 2018

A Magia do Silêncio é um livro escrito pela monja Kankyo Tannler e publicado no Brasil pela Editora Sextante em Setembro de 2018. O livro mescla auto-ajuda com um pouco de auto biografia e traz lições sobre como trazer o silêncio muito mais próximo de nós, mas com uma perspectiva moderna da filosofia budista.

Celebrada como uma nova e original voz do budismo, a monja francesa Kankyo Tannier parte de sua rica experiência pessoal para nos mostrar o poder transformador da prática do silêncio. Não apenas o silêncio das palavras, mas também dos pensamentos (reduzindo julgamentos e críticas internas), dos olhos (evitando o excesso de informações) e do corpo (reencontrando o prazer de estar presente a cada momento). Escrito com sensibilidade e a dose certa de humor, A magia do silêncio traz dicas, meditações e exercícios práticos para incluir pequenos intervalos de paz na agitação do dia a dia. Ao fazer essas pausas, os sentidos despertam e voltam a se abrir para as maravilhas escondidas na vida cotidiana.

Ficha técnica:
Título: A magia do Silêncio | Autora: Kankyo Tannler | Ano: 2018 | Páginas: 160 | Idioma: português  | Editora: Sextante
Livro cedido em parceria com a editora.

Eu amo quando um livro tem o poder de mudar os hábitos, de me fazer respensar sobre minhas atitudes e melhorar os meus hábitos. Eu não sou uma fã assídua de auto ajuda, mas tenho lido alguns livros do gênero e tenho gostado muito da experiência. A Magia do Silêncio é um deles, porque além de jovem e possuir uma linguagem muito acessível, as dicas são realmente válidas.

Eu medito faz algum tempo, mas ainda assim, às vezes me deixo levar pelos ruídos não bons da vida. Acontece, somos seres humanos. Nesse livro, a monja (e autora), nos traz vários métodos de buscar o nosso silêncio interior e nos fazer realmente por em prática. Uma das coisas que eu mais gostei nesse livro, é a linguagem fácil, assertiva e de um jeito que faz com que o leitor seja realmente instruído pela autora. O livro não é feito de frases prontas, a autora deixa isso muito claro, ela te faz se aprofundar nos seus ensinamentos, mas de uma forma que você tenha consciência daquilo que está escolhendo fazer.

O livro é dividido em algumas partes, são elas: 

Parte 1 - O que é o silêncio?
- Capítulo 1: As virtudes do silêncio.
Aqui a autora traz a definição, alguns benefícios de uma vida mais silenciosa e como superar os obstáculos.
- Capítulo 2: os grandes silenciosos.
A autora nesse capítulo aborda sobre os animais, considerados reis do silêncio e também um pouco do silêncio em um mosteiro.

Na parte 2: Silencie tudo:
- Capítulo 3: silencie os olhos.
A autora aborda a poluição visual e o fascínio pelas telas, como controlar o olhar como tranquilizar o olhar com as pausas visuais, os benefícios da simplicidade e como encarar as imagens mentais e como deixá-las ir depois disso.
- No capítulo 4: silencie as palavras.
Ela traz o mito do silêncio total, como aprender a se calar e os exercícios para clarear a mente e silenciar o crítico interior que habita em nós.
- No capítulo 5: silencie o corpo.
Como o próprio nome diz, ela apresenta como se forma um corpo ausente, como entender sua relação com o seu corpo, como saber sentir e como ser o corpo silencioso.

Na parte 3: A prática do silêncio:
- Capítulo 6: uma prática de silêncio em casa.
Aqui ela vai nos ensinar como praticar em casa, todo a preparação e o procedimento.
- Capítulo 7: o silêncio dos atos ou espiritualidade ética:
A monja traz ensinamentos sobre a Terra, uma mãe superpaciente, um retorno à simplicidade e vegetarianismo, como não comer seus amigos. 

O que eu quero dizer é, esse livro ele traz ensinamentos que vão nos ajudar no dia a dia. Ainda mais em tempos em que os ânimos estão tão exaltados e as pessoas com tanto ódio. Eu acho importante termos conciência sobre o nosso corpo e a nossa mente e como cuidar melhor de nós mesmos. Se você busca um livro que não seja um clichê de auto ajua, esse aqui é definitivamente para você.

A Magia do silêncio traz uma perspectiva mais jovem do budismo, com uma autora que segue os ensinamentos, mas não fica reclusa em um ambiente como o mosteiro. Traz ensinamentos e métodos eficazes (sim, pois eu estou praticando-os) para que tenhamos uma vida mais equilibrada e que nossa mente e nosso corpo estejam alinhados para que possamos ser mais calmos e felizes.

J. R. R. Tolkien: o senhor da fantasia, de Michael White

30 setembro 2018


J. R. R. Tolkien: o senhor da fantasia, escrito pelo Michael White, é um livro publicado em 2016 em uma edição comemorativa pela DarkSide Books. Como já é de se esperar, o livro traz a história do autor lendário de Senhor dos Anéis e o Hobbit. 

A obra de Michael White acompanha a vida e a trajetória do escritor, começando por sua infância na África do Sul, seguida do retorno da família para a Inglaterra, onde os Tolkien estabeleceram-se em Birmingham, cidade que passava por uma rápida industrialização nos anos 1890, mas ainda era cercada por uma paisagem de tirar o fôlego. Este cenário que reunia e mesclava o coração industrial do Império britânico próximo a bosques e montanhas idílicas e selvagens foi determinante para as ideias e a escrita de Tolkien. Já é clássico o momento inspirador quando era professor em Oxford e um dia, corrigindo exames, ao se deparar com uma página em branco que um aluno havia deixado no caderno de exercícios, Tolkien escreve de repente: ¿Em uma toca no chão vivia um Hobbit". Bem à sua maneira, ele fica intrigado com aquilo e decide descobrir mais a respeito dos hobbits. Escrito para os seus filhos, O Hobbit tornou-se um sucesso imediato quando foi publicado em 1937. Vendeu milhões de exemplares mundo afora desde então e estabeleceu-se como "um dos livros mais influentes de nossa geração". Influência e paixão que só aumentaram com as adaptações para o cinema da trilogia de O Senhor dos Anéis, por Peter Jackson, e que voltam a atrair a atenção de todos novamente com o começo da nova trilogia de O Hobbit.

Ficha Técnica:
Título: J. R. R. Tolkien: o senhor da fantasia | Autor: Michael White | Ano: 2016 | Páginas: 258 | Idioma: português  | Editora: DarkSide Books

Como uma fã assídua de Senhor dos Anéis e de todo o universo da Terra Média, há muito tempo queria ler a biografia do Tolkien. Queria saber mais sobre sua história, aprofundar sobre como foi sua infância, como foi sua adolescência, seu período na Universidade e entender melhor como surgiram os primeiros resquícios da história fantástica que é Senhor dos Anéis e o Hobbit, além de todos os outros textos sobre o Mundo da Terra Média.

Nessa edição comemorativa de aniversário de 125 anos do autor, finalmente pude me aprofundar em sua história de vida, através dos olhos e pesquisas do autor Michael White (desconhecido por mim até o momento). O livro é dividido em 14 capítulos, indo desde sua infância até o final de sua vida, traçando vários tópicos como família, faculdade, começo dos escritos, etc. 

"ele observava um minúsculo buraco no tecido e fica-se nele por um longo momento, sonhando acordado. Então ele volta a atenção para o papel à sua frente e começa a escrever "Em uma toca no chão vivia um hobbit...".

Confesso que eu esperava um pouco mais dessa biografia, mas no geral, gostei muito da leitura. Não sei se estou mal acostumada com biografias mais intensas e longas como a do Van Gogh, mas essa me pareceu um pouco superficial em alguns momentos. No entanto, não foi algo que prejudicou a leitura, porque eu estava totalmente imersa e fascinada pela história de vida do Tolkien, de como ele cresceu, de como era sua família e da onde veio toda a sua genialidade. 

A leitura é muito fluída, porque a narrativa adotada pelo autor é muito leve e descontraída, não é cheia de firulas ou rodeios, nem palavras rebuscadas, é simples, objetiva, o que contrapoem um pouco a obra do nosso mestre, rs, mas essa ironia a gente não liga muito não, porque o importante foi entender melhor como foi o processo de construção da Terra Média e de toda a genialidade do J. R. R. Tolkien.
Já disse inúmeras vezes o quanto sou fã desse autor e o quanto a Terra Média significa para mim. Mas uma das coisas mais fascinantes em todo esse mundo, é a junção da imaginação com o conhecimento "científico" do autor, como a linguística. Não é fácil criar um mundo fantástico, com seres que não são reais ao público, não é fácil construir cada detalhe de uma personalidade de um Orc ou um Elfo, mas não é fácil - mesmo -, criar línguas para cada povo, runas antigas, línguas élficas, isso é simplesmente genial demais e não tem como não ficar empolgado ao entender melhor o criador disso tudo.

"Por causa dessa habilidade, Tolkien foi capaz de preencher a sua obra com uma força extraordinária. E é por causa dessa força que os leitores tornaram-se totalmente absorvidos pela criação do autor. Pra o fã de Tolkien, nunca é o suficiente. O verdadeiro devoto sempre quer mais - mais detalhes, mais informações. Tolkien poderia ter escrito dez milhões de páginas e ainda assim não teria sido o suficiente para satisfazê-los completamente. Mesmo assim, é um testamento de genialidade do homem que, com alguns milhares de páginas, continua a cativar a mente de milhões e a oferecer aos seis leitores uma realidade alternativa completamente digna de confiança e aboservente, algo incomparável na história da literatura".

O ponto ápice para mim, acontece quando entendemos melhor que tudo o que o tornou quem é, vem desde a sua infância, vem da sua família, vem das pessoas que passaram por sua vida. C. W. Lewis como seu amigo, seus filhos, a morte precóce dos pais, tudo isso contribuiu para que suas histórias tomassem forma e fosse o que são hoje: obras primas. Eu acredito fielmente que um autor se torna grande, quando ele consegue pegar suas experiências e transcrevê-las para suas histórias, de alguma forma. Tudo isso se torna real, traz uma crítica social no momento certo, traz paixão, amor e muito mais. E eu acredito que Senhor dos Anéis é a junção de tudo isso, de toda a experiência dele, de todo o aprendizado, de todo o conhecimento adquirido em sua vida.

O que falar sobre a edição da DarksideBooks? Mais uma vez é um deslumbre para os amantes de liros físicos. A diagramação está impecável, as letras são confortáveis, os detalhes em cada página, em cada início de capítulo, a textura da capa, a aparência envelhecida, tudo  isso é extremamente atrante aos olhos e vale muito a pena ter essa edição em casa. A edição ainda traz fotos, cronologia dos fatos e uma vasta bibliografia em seu final, complementando toda a história já contada nas páginas anteriores.

Se você é fã de Senhor dos Anéis, já sabe que essa leitura é indispensável. Se você não conhece tão aprofundamente assim, esse mundo todo, a leitura também é válida, porque Tolkien foi um exemplo de autor e sua história é fascinante. Eu indico de olhos fechados essa biografia e espero que todos tenham a mesma experiência que eu.

O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle

03 setembro 2018

O Planeta dos Macacos, escrito por Pierre Boulle, é um livro originalmente publicado em 1963, lançado no Brasil em 2015 pela Editora Aleph. 

A história é considerada um clássico e já foi adaptada para o cinema algumas vezes. Sua primeira aparição nas telonas, foi em 1968, tendo ainda continuações em 1970 e 1973 com os títulos "de volta ao planeta dos macacos"(1971) e "Fuga dos Planetas dos Macacos"(1972), e por fim, A batalha dos Planeta dos Macacos (1973). Além desses originais, temos o filme dirigido pelo Tim Burton em 2001, mas os reboots vieram em 2011. A Origem (Rise of the Planet of the Apes, 2011), de Rupert Wyatt, e Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes, 2014), de Matt Reeves. Em seguida Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes), de Matt Reeves, lançado em 3 de agosto de 2017.

Sinopse: em um futuro não muito distante, três astronautas pousam em um planeta bastante parecido com a Terra, repleto de florestas luxuriantes e com clima ameno e ar perfeitamente respirável. Mas esse lugar - um pretenso paraíso - não é o que parece. Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade: nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante... os macacos. Desde as primeiras páginas até o surpreendente final - ainda mais impactante que a famosa cena final do filme de 1968 -, O planeta dos macacos é um romance de tirar o fôlego, temperado com boa dose de sátira. Nele, Boulle revisita algumas das questões mais antigas da humanidade: O que define o homem? O que nos diferencia dos animais? Quem são os verdadeiros inimigos de nossa espécie?

Ficha técnica:
Título: O Planeta dos Macacos | Autor: Pierre Boulle | Ano: 2015 | Páginas: 216 | Idioma: português | Editora: Editora Aleph

Eu queria ter lido o livro antes de ter assistido aos filmes. Essa é a primeira coisa que digo sobre essa história. Queria ter tido a oportunidade de imaginar toda essa loucura de forma límpida, sem a interferência do cinema. Não que os filmes sejam ruins, particularmente adoro o reboot mais recente, mas teria sido muito mais incrível ter lido a obra, se eu não soubesse nada dela e pudesse criar minhas próprias imagens.

Toda vez que eu leio um clássico escrito no outro século, eu tento entender o contexto da época e levo tudo em consideraçõe. Hoje em dia, existe milhões de livros que falam sobre extinção da humanidade, distopias e mais distopias pós apocaliptícas e no gênero ficção científica, não é diferente. No entanto, quando Pierre Boulle escreveu esse livro na década de 60, foi um marco, algo extremamente diferenciado e único, dando um grande passo para o gênero ficção científica.

"Era um Gorila, estou lhes dizendo! Do colarinho da camisa saía a hedionda cabeça terminada numa protuberância coberta de pelos negros, com o nariz achatado e as mandíbulas saltadas. Estava ali, de pé, um pouco curvado paara frente, na postura do caçador emboscado, apertando um fuzil em suas longas mãos". Pág. 46.

O Planeta dos Macacos é um livro que traz muitas reflexões sobre a humanidade. O que define um HOMEM? O que nos diferencia dos animais? São perguntas que o autor quer que o leitor pense durante a leitura. E foi justamente isso que aconteceu comigo enquanto eu lia uma das primeiras páginas. O astronauta encontrando uma mulher "humana", mas totalmente selvagem, em um Planeta em que sua espécie não era o ser dominante. No momento já me causou uma estranheza profunda e isso foi maravilhoso. Recentemente li Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas? e tive a mesma sensação.
Apesar do gênero assusstar um pouco os leitores que não estão acostumados com ele, a narrativa do Pierre é totalmente fluída e sua escrita é gostosa e acolhedora. O livro não é longo, então a leitura tem um ritmo muito bom, a edição da Aleph ajuda muito o leitor a ter uma experiência diferente enquanto lee essa obra.

Como mencionei acima, é um livro que te faz pensar e que traz consigo personagens muito bem definidos e construídos. Não precisam de uma apresentação ou introdução deles, porque durante a jornada dos personagens, nós conseguimos entendê-los melhor. Uma das coisas mais incríveis, é como esse Planeta é tratado com naturalidade e como o leitor vai descobrindo-o junto com os personagens, o que torna a obra bem mais imersiva. E durante a leitura, você vai percebendo um tom sarcástico e irônico sobre toda aquela situação, o que me deixou sorrindo algumas vezes.

E o final? Bem, o final é um show a parte. Antes de ler, meus amigos me alertaram que eu ficaria impactada com a genialidade do autor, mas não achei que seria tanto. Eu simplesmente achei sensacional todo o "plot twist", toda a verdade que o autor jogou na nossa cara no final dessa história.
Em suma, O Planeta dos Macacos é um livro inteligente, com críticas sociais e raciais, com críticas aos experimentos com animais e que traz com tudo isso, muita reflexão no leitor. O que os seres são capazes de fazer pela luta a sobrevivência? O que nos torna uma sociedade? Uma civilização? Como mencionei acima, é um livro fácil de ler e muito atrativo. Assino em baixo ao considerar um clássico, porque não tem como ler esse livro e não entender toda a genialidade do autor, principalmente ao pensar tão longe em uma "época tão passada".

Se você busca uma leitura de ficção científica que te prenda, te faz pensar e ainda assim questionar várias coisas em nossa sociedade (e nosso futuro), eu indico muito essa obra. 

Paraísos Literários ao Redor do Mundo

30 agosto 2018


Olá leitores! Quem ama ler com certeza já sonhou em conhecer as charmosas livrarias espalhadas pelo mundo. Há algum tempo tive a oportunidade de realizar esse sonho e desbravar as livrarias mais famosas de Londres, na Inglaterra, Paris na França e San Francisco nos Estados Unidos.

Hoje vou compartilhar um pouco da minha experiência com esses paraísos literários e o que achei sobre cada um deles. 

Shakespeare and Company 


A Shakespeare and Company é o berço literário de Paris. Localizada próxima a Catedral Notre Dame, essa livraria foi criada em 1951 e foi ponto de encontro para autores como Ernest Hemingway e James Joyce.

A famosa livraria se tornou um forte ponto turístico após ser retratada nos filmes Antes do Pôr do Sol e Meia Noite em Paris, e também pelo fato de se tornar a queridinha do Tumblr, afinal, quem nunca viu uma foto dessa livraria?
O principal lema da loja é “Seja gentil com estranhos, pois eles podem ser anjos disfarçados”, vemos essa frase estampada em diversos lugares no interior do local.

Atualmente, a Shakespeare and Company funciona como sebo e biblioteca, sendo especializada em literatura de língua inglesa. Além disso, tem seu próprio café com vista para a incrível Catedral de Notre Dame e o Rio Sena.

Achei a livraria incrível, é fácil encontrá-la pelas ruas de Paris, afinal, ela é próxima de diversos pontos turísticos. O lugar é super aconchegante, surreal, me senti em um filme. 
Se você vai ou pretende ir a Paris, coloque a Shakespeare and Company no seu roteiro, você não vai se arrepender!


Gosh! Comics

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Para os fãs de quadrinhos, a Gosh! Comics é uma excelente opção. Essa livraria é localizada no bairro de Soho em Londres, um bairro super alternativo e que possui diversas atrações, com certeza é a rua mais legal da cidade.

A Gosh! é considerada a melhor loja de quadrinhos de Londres, além de ter uma diversidade muito grande em HQs, mangás e livros, também possui discos e cd's.

Essa livraria possui uma área dedicada apenas a clássicos de Alan Moore e Neil Gaiman, ainda, tem dois andares e um subsolo, onde ficam as diversas HQs. Além disso, tem uma lojinha super bacana para você comprar funko, camisetas, canecas e etc...

Conheci outra loja de quadrinhos em Las Vegas, mas a Gosh! é pra lá de especial, me senti em casa e poderia ficar horas lá dentro. É uma livraria super organizada e que vale muito a pena conhecer, principalmente porque fica no bairro mais legal de Londres.



City Lights Books

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A City Lights é a livraria mais famosa de San Francisco e tive o prazer de conhecê-la há algumas semanas atrás. Na cidade é tudo muito afastado então tive um pouco de trabalho para achar, mas valeu cada segundo dessa experiência.

A cidade de San Francisco é super aconchegante, você se sente em um filme vintage, então não esperava menos de suas incríveis livrarias.

A City Lights Books está em San Francisco há mais de 60 anos e é considerada um marco literário na cidade, visto que é uma das poucas livrarias independentes dos Estados Unidos. Conhecida por ser pioneira nos livros de bolso, a loja possui diversos títulos raros e ideias alternativas, como por exemplo, não é permitido wifi ou aparelhos eletrônicos, pois se tem como lema que devemos aproveitar o melhor da leitura.

Ainda, essa livraria é imensa, ocupa o prédio inteiro e possui túneis de livros super antigos. Se você for a San Francisco, não deixe de visitar esse paraíso literário.

Textos Cruéis demais para serem lidos rapidamente

27 agosto 2018

Se você não vive em uma bolha fora da internet, você deve conhecer o Projeto "Textos Cruéis Demais para serem lidos rapidamente", que começou nas redes sociais e hoje está com uma edição linda lançada pela Globo Alt. No post de hoje, vou falar sobre todos os sentimentos que tive lendo o livro, e falar também sobre o que eu achei do conjunto completo: diagramação, textos e tudo mais.

Sinopse: Indo contra a tendência dos textos curtos e superficiais que são postados nas redes sociais, o coletivo literário Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente (TCD) passou a produzir e compartilhar um conteúdo extenso, profundo e extremamente poético em suas páginas no Facebook e no Instagram. Com seus escritos e ilustrações, eles acabaram atingindo um público muito maior do que o esperado, nos mostrando como, apesar da crescente agilidade que nossa comunicação exige, ainda precisamos de tempo para digerir e entender nossas complexas relações humanas. Para este livro, foram produzidos textos inéditos que ganharam a companhia das sensíveis ilustrações de Anália Moraes.

Ficha Técnica: 
Ano: 2017 | Páginas: 304 | Idioma: português | Editora: Globo Alt 

Falar sobre sentimentos e fases da vida não é fácil para todo mundo. Às vezes a gente não consegue explanar tudo o que sentimos ou pensamos. No entanto, há tantas pessoas por ai que, através da escrita, conseguem transmitir esses sentimentos e pensamentos, fazendo com que outras pessoas se identifiquem e, às vezes, até se entendam melhor depois da leitura.

Neste livro, somos levados a várias crônicas e textos super intimistas e profundos, cheios de sentimentos. Eu adorei a forma como os textos foram escritos, adoro as ilustrações e adoro a divisão dos capítulos:

- pra quando você se esquecer de mim;
- a memória é uma pele;
- pra você não esquecer de sentir;
- a felicidade é uma arma quente.

A diagramação está linda, como era de se esperar. Além disso, as ilustrações conversam com os textos e geram uma sensação muito intima também. Toda vez que eu lia o texto e olhava para a ilustração, eu me envolvia mais ainda e me sentia muito mais completa. Não são só as palavras que conversam com o leitor, os desenhos as completam. Não consigo escolher qual texto me tocou mais, porque, apesar de muitas vezes eu não me identificar 100% com tudo, eu me sentia acolhida e um quentinho no meu coração se instalava.

Não é fácil escrever sobre sentimentos, não é fácil admitir que se identifica às vezes com os textos. No entanto, Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente não é um livro cheio de clichês ou frases prontas. É um livro intenso, profundo e propõe justamente essa identificação do leitor. Para aqueles que já acompanhavam a página do TCD, sabia o que esperar, mas a surpresa é para aqueles que não conheciam.

Eu acredito em momentos certos para ler esse livro. Não acho que deva ser lido de uma vez, rs. Eu fui pegando um texto por dia, às vezes lia dois, mas ia escolhendo conforme os dias iam passando e foi a melhor decisão que tomei. Em alguns momentos, parecia que àquele texto especifico tinha sido escrito para mim. Eu confesso que chorei em alguns momentos, porque é difícil não se lembrar de pessoas e momentos que já passaram, por isso acredito muito que esse livro atinge o nosso íntimo, aquele ponto bem no fundo do nosso coração, que ficou coberto por muito tempo. É o que eu senti lendo esse livro.

Em síntese, todos aqueles que gostam de textos e crônicas, e até os que não gostam muito, mas estão passando por um momento complicado na vida, deveriam ler esse livro. Ele não é auto ajuda, ele não é um clichê ambulante. Ele é cheio de surpresas, amor, saudade desilusão e tantos outros sentimentos que não admitimos ter em voz alta. Leia esse livro, você não vai se arrepender.

E se acontece? De Melanie Harlow e David Romanov

22 agosto 2018


E se acontece? É um romance maravilhoso, escrito pela Melanie Harlow e David Ramanov, que traz a história de dois personagens que se envolvem e se descobrem no amor. O livro é da editora Hoo e foi publicado no Brasil em 2018. 

Eu não queria me envolver com Derek Wolfe. Eu não queria me envolver com ninguém. Tudo o que eu queria era começar uma nova vida na América. Mas, quando me encontrei sem ninguém e sem abrigo, ele veio em meu socorro, oferecendo-me um lugar para ficar. Ele é inteligente, bem-sucedido e sexy como o inferno, mal posso dormir sabendo que ele está bem no corredor. E, quando a química entre nós explode uma noite com uma paixão feroz e ardente, é difícil negar que existe algo real entre nós. Mas ele nega. Ele diz que estava bêbado. Ele diz que não voltará a acontecer. Ele diz que não quer este tipo de relação, e que nós não significamos nada. Ele está mentindo. Porque aconteceu novamente, e novamente, e novamente. E é melhor sempre do que a última vez. Sei que podemos ser bons juntos, e eu quero ter a chance de tentar, mas acabei por fugir dele. Porém, o universo parece nos colocar juntos uma e outra vez nos dando sempre o questionamento inevitável "E se acontece" e nos deixamos amar um ao outro?

Ficha Técnica:
Título: E se acontece? | Autores: Melanie Harlow e David Romanov | Ano: 2018 | Páginas: 336 | Idioma: português | Editora: Hoo Editora | Tradução:

A primeira coisa que eu preciso dizer nessa resenha: eu não sabia que era um livro LGBT, com dois protagonistas homens. Quando eu descobri, devido a um quote de Me chame pelo seu nome, eu fiquei tão feliz, mas tão feliz, que devorei o livro em pouco tempo. E já adianto que eu amei muito.

Todas as pessoas que estão acostumadas a ler romances com casais homossexuais, sabem que os clichês são simplesmente enfadonhas e errados (na minha concepção), ainda mais quando as histórias só terminam de forma triste ou abordam doenças sexualmente transmissíveis. No entanto, E se Acontece? é um New Adult super erótico, mas com um desenvolvimento muito interessante de personagens, que no final, mesmo sendo previsível, foi lindo de ler a naturalidade do relacionamento (o que deveria ser regra e não exceção).
A narrativa é muito fluída e muito gostosa, os autores conseguiram despertar sentimentos muito bons em mim. Sabe aquele tipo de livro que nos deixa com o frio na barriga? Esse é um deles. Os autores desenvolvem bem as inseguranças dos personagens, alternando os pontos de vista, assim podemos ter uma dimensão de sentimentos de ambos os personagens. Aqui temos um homem já assumido e bem resolvido com a sua sexualidade, e um que ainda está com medo de se abrir e se assumir. O conflito interno do personagem Derek, é bem interessante de acompanhar, assim como a espontaneidade e a jovialidade do Max.

Como mencionei, a história é realmente gostosa de acompanhar. O desejo e o sentimento entre os dois é muito forte e isso foi descrito de uma maneira muito imersiva. A curiosidade da minha parte também se aflorou, porque sou uma pessoa heterossexual que só teve relações hétero normativas, então muitas coisas foram bem novas para mim e eu amei a forma abordada. A mensagem da história é algo tão puro e singelo: amar, amar sempre, se permitir, não se esconder, dizer a verdade principalmente para você sobre você mesmo. E, apesar dos clichês do gênero new adult, a história consegue deixar o leitor muito feliz com o final, não se importando com a previsibilidade.

Em síntese, E se acontece? é um romance daquele jeito que amamos. Com drama, ardente, intenso e muito fofo. Não tem como não se apaixonar pelos personagens e, até mesmo, se identificar com os mesmos em determinados assuntos, sendo você homossexual ou não e isso foi o que me cativou. Os autores possuem essa sensibilidade e isso ficou evidente na obra. Eu indico de olhos fechados.

Paper Girls #1, de Brian K. Vaughan

20 agosto 2018


Paper Girls, volume 1, é uma história em quadrinhos, criada pelo Brian K. Vaughan (Saga) e publicado no Brasil pela Editora Devir. É uma HQ super premiada e com recordes de vendas do New York Times, e conta com Cliff Chiang, o lendário artista da Mulher-Maravilha.

Na madrugada depois do Dia das Bruxas de 1988, quatro entregadoras de jornal de 12 anos descobrem o que pode ser a história mais importante de todos os tempos! Drama suburbano, ficção científica, viagem no tempo e mistérios sobrenaturais colidem nessa série sobre nostalgia, primeiros empregos e os últimos dias da infância. Para os fãs das aventuras “estilo Steven Spielberg dos anos 80” e Stranger Things, a série da Netflix.

Ficha técnica:
Título: Paper Girls #1 | Autor: Brian K, Vaughan | Ano: 2017 | Páginas: 144 | Idioma: português |
Editora: Devir

Confesso que a primeira coisa que me fez querer ler essa história, foi a capa. E eu comprei, mesmo sem ler a sinopse, procurando por uma surpresa. Encontrei. Se eu pudesse descrever essa HQ em uma única palavra, eu diria "nostálgica". Digo isso, porque a história traz referências ao mundo pop do século passado e toda sua paleta de cores remete a uma época em que jogos e filmes de ficção científica estavam estourando na mídia.

Muita gente reclama de quadrinhos, dizendo que não tem desenvolvimento de personagens, porque não há aquela forma tradicional de narrativa. No entanto, não é bem assim, existem outras formas de desenvolverem personagens e a própria história em si. Em Paper Girls, eu consegui enxergar nitidamente para onde os personagens estavam indo na trama. A Mac (Mackenzi), por exemplo, é o tipo de personagem que se desconstrói, porque de toda "bad-girl', ela se mostra muito amiga e fiel e, muitas vezes, sua infantilidade é aflorada, apesar da adultização (de forma intencional dos autores) em relação a ela. Erin também tem bastante participação na trama e acredito ser a protagonista, não consegui definir quem era, porque nesse primeiro volume as coisas aconteceram com as quatro juntas.

Sou suspeita para falar, porque eu amo Ficção Cientifica, então não me espanta que eu tenha adorado essa história. Nesse volume 1, eu confesso não ter entendido ainda o que está acontecendo nesse mundo pós-apocalíptico, mas não me preocupo, porque os personagens não sabem também o que está acontecendo de fato, me deixando muito mais conectada à história. A narrativa é bem fluída, como é de se esperar, no entanto, percebi que há nuances de um drama em relação às personagens principais, que me agrada muito. A questão família, a própria adultização que mencionei acima e tantos outros dramas que são importantes serem abordados. Principalmente quando há um mundo se desmoronando e apenas alguns adolescentes estão "sobrando".

Não tem como fazer essa resenha sem mencionar e parabenizar o lindo trabalho de ilustração e de cores dessa HQ. Os tons de azul, rosa e roxo são simplesmente maravilhosos e bem aplicados, causando aquela sensação de nostalgia. A história toda fica em tons mais profundos quando o drama é maior, e mais suave quando o momento é mais descontraído. Cliff Chiang é simplesmente sensacional e merece todo reconhecimento.

Em suma, Paper Girls é uma história sobre garotas adolescentes que entregam jornais, até que um dia o mundo parece que vai acabar. Se você gosta de quadrinhos e histórias divertidas e empolgantes, com certeza essa é uma delas. A leitura pode ser realizada em minutos, porque é bem curta e fluída. Se você está a procura de histórias assim, eu indico MUITO Paper Girls. Ansiosa para realizar a leitura do volume 2.

Lançamentos de Agosto da Editora Arqueiro

18 agosto 2018



O mês de agosto é muito especial, não só porque é o meu aniversário (leonina mesmo), mas também porque tem Bienal do Livro. No entanto, não é sobre nada disso que esse post se trata, e sim, sobre os lançamentos mais incríveis da Editora Arqueiro para esse mês tão especial. Eu confesso que estou animada para todos os que estão nesse lista, espero poder ler todos, rs. 

Não esquece de comentar quais são os livros que vocês querem ler, ok?

UMA DAMA FORA DOS PADRÕES
Julia Quinn

Às vezes você encontra o amor nos lugares mais inesperados... Esta não é uma dessas vezes. Todos esperam que Billie Bridgerton se case com um dos irmãos Rokesbys. As duas famílias são vizinhas há séculos e, quando criança, a levada Billie adorava brincar com Edward e Andrew. Qualquer um deles seria um marido perfeito... algum dia. Às vezes você se apaixona exatamente pela pessoa que acha que deveria...Ou não. Há apenas um irmão Rokesby que Billie simplesmente não suporta: George. Ele até pode ser o mais velho e herdeiro do condado, mas é arrogante e irritante. Billie tem certeza de que ele também não gosta nem um pouco dela, o que é perfeitamente conveniente. Mas às vezes o destino tem um senso de humor perverso... Porque quando Billie e George são obrigados a ficar juntos num lugar inusitado, um novo tipo de faísca começa a surgir. E no momento em que esses adversários da vida inteira finalmente se beijam, descobrem que a pessoa que detestam talvez seja a mesma sem a qual não conseguem viver.

A CASA DAS ORQUÍDEAS
Lucinda Riley

Quando criança, Julia viveu na grandiosa propriedade de Wharton Park, na Inglaterra, ao lado de seus avós. Lá, a tímida menina cresceu entre o perfume das orquídeas e a paixão pelo piano. Décadas mais tarde, agora uma pianista famosa, Julia é obrigada a retornar ao local de infância na pacata Norfolk após uma tragédia familiar. Abalada e frágil, ela terá que reconstruir sua vida. Durante sua recuperação, ela conhece Kit Crawford, herdeiro de Wharton Park, que também carrega marcas do passado. Ele lhe entrega um velho diário que trará à tona um grande mistério, antes guardado a sete chaves pela avó dela. Ao mergulhar em suas páginas, Julia descobre a história de amor que provocou a ruína da propriedade: separados pela Segunda Guerra Mundial, Olivia e Harry Crawford acabaram influenciando o destino e a felicidade das gerações futuras. Repleto de suspense, A casa das orquídeas viaja da conturbada Europa dos anos 1940 às paisagens multicoloridas da Tailândia, tecendo uma trama complexa e inesquecível.

O SONHO DO TIGRE
Colleen Houck

Com a derrota do feiticeiro Lokesh, só parecia restar ao príncipe Kishan Rajaram passar a eternidade cumprindo a promessa de proteger a linda e irascível deusa Durga. Preso no passado, ele sofre depois que seu irmão, Ren, e Kelsey, a garota que ambos amam, voltam ao presente e começam a viver o seu “felizes para sempre”. Então, quando o xamã Phet aparece pedindo sua ajuda para salvar Kelsey, Kishan agarra a oportunidade com unhas e dentes, disposto a voltar atrás na sua decisão de ficar no passado e assim mudar seu destino. O tigre negro está prestes a descobrir que aquilo que parece o fim pode ser apenas um recomeço... Com um desfecho extraordinário, a autora Colleen Houck apresenta neste quinto volume uma visão completa da empolgante saga dos tigres. Numa complexa teia de viagens pelo tempo, Kishan e Durga concluem, entre idas e vindas, uma tarefa após a outra para garantir que a linha traçada para o destino da humanidade seja cumprida – o tempo todo lutando contra a tentação de interferir e redesenhar o futuro.

E ai, gostaram dos lançamentos? Me contem nos comentários! :)

A Duquesa Feia, de Eloisa James (Contos de Fadas #3)

13 agosto 2018


A Duquesa Feia é o terceiro livro da série Conto de Fadas da  autora Eloisa James. O livro foi publicado pela Editora Arqueiro em 2018 e conta a história de Helen e Rhys, sendo baseado na história do Patinho Feio.

Como ela ousa achar que ele a ama, quando Londres inteira a chama de Duquesa Feia?
Theodora Saxby é a última mulher com quem se poderia esperar que o lindo James Ryburn, herdeiro do ducado de Ashbrook, se casasse. Mas depois de um pedido romântico feito na frente do próprio príncipe, até a realista Theo se convence de que o futuro duque está apaixonado. Ainda assim, os tablóides dizem que a união não durará mais do que seis meses. Em seu íntimo, Theo acredita que os dois ficarão juntos para sempre… até que ela descobre que o que James desejava não era seu amor, mas seu dote.E a sociedade, que primeiro se chocou com seu casamento, se escandaliza com sua separação. Agora James precisará enfrentar a batalha de sua vida para convencer Theo que ele amava a patinha feia antes que ela se transformasse em cisne. E Theo logo descobrirá que, para um homem com alma de pirata, vale tudo no amor – e na guerra.

Ficha Técnica:
Título: A Duquesa Feia | Autora: Eloisa James | Ano: 2018 | Páginas: 272 | Idioma: português
  | Editora: Arqueiro | Tradução: Lúcia Brito
Livro cedido em parceria.

Esse é o meu terceiro livro lido da Eloisa James, mais um romance de época para a minha conta. Como já havia lido os outros dois volumes da série, eu já tinha uma ideia do que encontrar aqui. Apesar do nome ter me deixado com um desconforto, porque não acredito no termo "feio" para julgar pessoas, eu li, gostei, mas poderia ter gostado mais.

A narrativa da Eloisa James é muito fluída, ela tem um jeito muito engraçado de construir seus personagens e suas histórias. Aqui temos uma protagonista que é muito a frente do seu tempo, leve, engraçada, com muito potencial, que não acredita nas convenções da sociedade (até um certo ponto), mas que se tornou uma pessoa fria e dura devido às desilusões da vida. Em contrapartida, temos James, um personagem que tinha um enorme potencial de desenvolvimento, mas que acabou não sendo desenvolvido como deveria. 

Quando alguém se apaixonar por mim, e isso vai acontecer, porque a vida é longa e este casamento acabou, ele vai me amar por quem eu sou, não pelo meu rosto. Ele será capaz de ver dentro de mim e irá me querer por razões que irão além do meu dote ou do fato de eu poder ser transformada em uma prostituta sem sequer entender minha própria humilhação. 

O meu maior problema do livro está na sua parte final. O primeiro arco da história é extremamente legal, leve e cheio de personagens vivos. A autora não se apressou para mostrar a vida dos protagonistas antes do ACONTECIMENTO. No entanto, na parte final, parece que a autora economizou as palavras e simplesmente se apressou em terminar o livro. Quando chegou a última parte antes do epílogo, eu fiquei "mas, é isso?". Eu sentia que poderia ter sido melhor explorada a reconciliação dos personagens, porque a personagem Theodora tinha uma bagagem tão grande acumulada, que necessitava muito mais desenvolvimento, assim como a vida de James. 

No entanto, até a metade do livro, eu realmente me diverti, ansiei e torci para o casal a ponto de ter lido mais da metade em apenas 1 hora. O livro fala sobre a importância da confiança, da lealdade e de como não se deve, em nenhum momento, julgar ninguém. E é aqui que entra o segundo problema, a história lembra muito pouco O Patinho Feio, porque realmente não senti quase nada da inspiração aqui. Claro que conseguimos tirar algumas lições de vida, mas nada do que eu esperava de fato encontrar.

- você é lindo e eu não. Mas sabe de uma coisa, James? Prefiro mil vezes ser eu. Porque, quando me apaixonei por você, foi com sinceridade.

Em suma, eu esperava mais de A Duquesa Feia. Foi uma leitura gostosa, mas de longe é o livro que eu menos gostei da série. Mas se você está procurando uma série de romance de época, eu indico a série até momento, mas não sei se você irá gostar dessa história em específico, mas cada leitor tem uma percepção, então vá a diante e leia também! Depois me conte o que achou.

Androides sonham com ovelhas elétricas? De Philip K. Dick

06 agosto 2018


Androides sonham com ovelhas elétricas?, é um livro escrito pelo grande autor Philip K. Dick, originalmente publicado em 1968. No Brasil, foi publicado pela Editora Aleph em 2014. A obra também serviu como referência para os filmes Blade Runner e Blade Runner 2049 (2017).

Rick Deckard é um caçador de recompensas. Ao contrário da maioria da população que sobreviveu à guerra atômica, não emigrou para as colônias interplanetárias após a devastação da Terra, permanecendo numa San Francisco decadente e coberta pela poeira radioativa que dizimou inúmeras espécies de animais e plantas. Na tentativa de trazer algum alento e sentido à sua existência, Deckard busca melhorar seu padrão de vida até que finalmente consiga substituir sua ovelha de estimação elétrica por um animal verdadeiro - um sonho de consumo que vai além de sua condição financeira. Um novo trabalho parece ser o ponto de virada para Rick: perseguir seis androides fugitivos e aposentá-los. Mas suas convicções podem mudar quando percebe que a linha que separa o real do fabricado não é mais tão nítida como ele acreditava. Em 'Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?' Philip K. Dick cria uma atmosfera sombria e perturbadora para contar uma história impressionante, e, claro, abordar questões filosóficas profundas sobre a natureza da vida, da religião, da tecnologia e da própria condição humana.

Ficha Técnica:
Título: Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? | Autor: Philip K. Dick | Ano: 2014 | Páginas: 272
Idioma: português | Editora: Aleph | Tradução: Ronaldo Bressane

Eu sempre gostei de Blade Runner e sempre tive vontade de ler a obra que deu origem aos filmes. No entanto, eu era consumida por um medo besta de não gostar do livro, de não me adaptar ao estilo de narrativa do autor e me decepcionar com um mundo que tanto aprecio e amo. Mas, felizmente, tudo se resolveu e eu tive uma das melhores experiências com um livro de ficção científica da minha vida.

Esta é a condição básica da vida, ser obrigado a violar sua própria identidade. Em alguma ocasião, todas as criaturas vivas têm que fazer isso. É a sombra final, a derrota da criação, a maldição em ação, a maldição que se alimenta de toda a vida. Em toda parte do universo.

Aqui temos Rick Deckard, um caçador de androides. Um dos poucos que ainda vivem na Terra. Rick, sua esposa e uma ovelha elétrica constituem essa família "moderna". No entanto, o seu maior sonho era cuidar de um animal vivo, e não só pelo desejo de ter um devido a falta no novo mundo, mas também pelo status social adquirido quando se tem um, mas como é de se imaginar, o valor de um animal vivo era exorbitante. Rick recebeu um desafio de eliminar androides de uma última geração e é aqui que começa a sua jornada pessoal-interna (como eu gosto de chamar), tendo que entender seus limites físicos e psicológicos, refletindo sobre a humanidade, sobre matar outro ser humano e por um fim em um ser com consciência.

Como mencionei acima, esse foi o meu primeiro contato com o autor, eu não sabia muito bem o que esperar em relação a sua escrita, visto que a história eu já conhecia, pelo menos pelos olhos da adaptação cinematográfica. No entanto, eu já sabia que o autor gostava de trazer temas pesados, reflexivos, porque sua escrita é tão envolvente, que faz com que o leitor saia de um senso comum e pense muito além.. E isso é feito de uma forma tão passiva-agressiva que o leitor quando percebe que está sendo induzido a pensar diferente, realmente entra em um estado de "meu deus" (outra expressão minha para definir a minha leitura).

Em relação às reflexões, temos uma abordagem muito grande em relação a religião, que é um tema que possui bastante evidencia no livro, mas ao contrário de outros pontos reflexivos, aqui é mais subjetivo, de forma que cada leitor interpretará de uma maneira diferente. Se formos a fundo em cada linha e pedaço desse livro, podemos extrair muitos assuntos, a relação com o material, em relação a obsessão aos animais vivos, por exemplo. Mas essa resenha não está aqui para diminuir a experiência única de ninguém.

A narrativa de Philip K. Dick é muito fluída, o que foi uma surpresa para mim, mas mesmo sua escrita sendo tranquila, o conteúdo é denso e reflexivo e requer mais atenção e dedicação do leitor, pelo menos dos que querem tirar muito mais do livro, já que esse exige mais do que normalmente (alguns) os outros livros. Quando digo que Androides sonham com ovelhas elétricas? exige mais, é porque ele faz com que o leitor se comprometa a entender o mundo e entender os motivos do autor estar escrevendo tudo aquilo e contando essa história, e, apesar de ser entretenimento, ele é muito mais que isso em suas entrelinhas. Androides sonham com ovelhas elétricas? é um livro existencialista, que faz o leitor realmente questionar coisas sobre a humanidade e seus deveres, juntamente com o protagonista do livro.

Em Suma, Androides sonham com ovelhas elétricas? é tudo o que eu esperava e mais um pouco. Não sei se é porque eu aprecio leituras que me fazem pensar, que me fazem sentir alguma coisa diferente, mas esse livro realmente mexeu comigo. Eu terminei a leitura dele tem algumas semanas, mas estava difícil de colocar para fora todas as coisas que eu aprendi com ele. A leitura é entretenimento, mas também serve para que sejamos pessoas melhores, melhores pensadores. O senso crítico dessa história é muito apurado e por isso, faz com que a gente pense de uma forma diferente e, mesmo sendo uma distopia, parece que muita coisa conversa com nosso tempo atual. Portanto, se você busca uma leitura que seja realmente interessante e te faça pensar mais e melhor, eu recomendo fortemente.

Literalmente, de Lucy Keating

31 julho 2018


Eu sou apaixonada por capas de livros fofinhas e quando a história faz jus a capa é melhor ainda. Em 2016 eu li o primeiro livro da autora Lucy Keating, chamado O garoto dos meus sonhos, me apaixonei por essa história e inclusive, comprei o livro na versão original e em português. Então, no ano passado a autora lançou mais um livro e com certeza eu queria muito ler. Ainda bem que a editora Globo Alt lançou o livro por aqui.

Mas, às vezes, a vida tem outros planos. Às vezes, as pessoas levam um tempo pra se revelar.

Literalmente, conta a história de Annabelle que é uma garota super organizada com a sua vida. Ela tem um quadro de post-its com todas as suas tarefas e cada cor do post-it representa um assunto. A vida de AB também é super regrada e certinha, podemos dizer que a única coisa que não vai tão bem, são suas notas na aula de escrita criativa.

Para bagunçar a vida perfeita de AB, os pais dela comunicam que vão se divorciar. Depois disso, parece que o melhor amigo do seu irmão está se interessando por ela. Será? Com todas essas novidades, AB vai para a escola e as surpresas continuam. Um novo garoto lindo e perfeito entrou na sua turma, e AB fica encantada com o Will.

A professora da matéria de escrita criativa convida uma autora, a Lucy Keating para palestrar aos alunos. Lucy começa contando um pouco sobre o seu processo de escrita, fala sobre os seus romances publicados, e então conta um pouco sobre o novo livro que está escrevendo, é aí que Annabelle se interessa mais pelas palavras de Lucy. Aparentemente Lucy está descrevendo a sua vida atual, e AB fica com a dúvida se ela é real ou apenas uma personagem dos livros de Lucy Keating.

Ficha Técnica: 
Título: Literalmente | Autora: Lucy Keating | Ano: 2018 | Páginas: 208 | Idioma: português | Editora: Globo Alt | Tradução: Alice Klesck

O enredo dessa história não tem nada de mais, é verdade, mas ainda assim foi um livro que me conquistou. A narrativa é feita em primeira pessoa e a escrita da autora é muito fluída, por isso terminei tão rápido. Eu amei cada personagem da história, inclusive a própria autora que foi inserida como um personagem e essa inserção foi a inovação que a autora conseguiu trazer para o livro.

Adorei o final, apesar de que eu queria que AB ficasse com outra pessoa, mas mesmo assim foi bem divertido. Além do romance, a autora mostra um pouco do relacionamento familiar da adolescente e como ela vai lidar com a separação de seus pais. Temos ainda um pouquinho de fantasia, é só um pouquinho mesmo, pois para imaginar uma autora dentro da história e AB como um personagem dentro do personagem é preciso fantasiar um pouco. Outro ponto que gostei bastante, foi como a autora foi inserindo a palavra literalmente durante a história, achei bem interessante.

- Acho que a mensagem que quero transmitir aos meus colegas de classe é essa: nós frequentemente sentimos alguma pressão em nossos ombros e, às vezes, nem notamos que esse peso está ali. Portanto, eu gostaria de dar a vocês este conselho: não tenham medo de se surpreender.

Se você quer ler uma história divertida e leve, Literalmente é uma boa escolha.