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Eleanor Oliphant está muito bem, de Gail Honeyman

11 dezembro 2017

"Frequentemente parece que não estou aqui, que sou um produto de minha própria imaginação. Há dias em que me sinto conectada de modo tão leve à Terra que os fios que me prendem ao planeta são filamentos delgados fiados de açúcar.
Uma forte lufada de vento poderia me desalojar completamente,
e eu levantaria voo e seria soprada como uma daquelas sementes de dente-de-leão."

Apenas com o título do livro eu já sabia que Eleanor Oliphant não estava nada bem. Por isso, já me interessei por ele. Acredito que quando alguém sempre diz que está muito bem e se sustenta apenas em cima disso, é um claro sinal de que na verdade, nada está bem. Eleanor é uma personagem que você vai desprezar, amar, detestar e que vai te fazer chorar, tudo ao mesmo tempo. Ela está sozinha no mundo porque o mundo não é nada interessante para ela. As regras de convivência da sociedade não fazem sentido nenhum e mesmo assim ela precisa se submeter a isso porque somos de fato, pessoas que sempre precisam de pessoas. É um ótimo livro para ler nesta época de final de ano, época em que estamos mais conscientes, que sonhamos com mudanças, ensina a estreitar laços e desfazer outros. Sim, não só devemos nos reaproximar da família e amigos como nos afastar dos mesmos que nos são tóxicos, que é o caso da mãe de Eleanor. Para quem acha impossível uma mãe ser tão tóxica como mostra o livro, se você achar distante da realidade, leia sobre Dee Dee Blancharde e sua filha Gypsy. Apesar do tema, não é um livro pesado e nele conhecemos Eleanor não só pelas reflexões emocionantes que ela tem, mas também pensamentos frívolos. Com essa narrativa, é como se fôssemos a própria personagem, conseguimos entendê-la e sentir tudo o que ela sente: a dor lancinante, o toque das pessoas, o cheiro de tudo, o prazer de sentir os raios do sol de inverno iluminando o rosto.

Quando o silêncio e a solidão caem sobre mim e a minha volta, esmagando-me, me cortando como gelo, às vezes preciso falar em voz alta, nem que para provar que estou viva.

Eleanor sente essa solidão avassaladora também porque não tem a si mesma, não se conhece, não quer se conhecer. Para se conhecer temos que quebrar portas dos lugares que sempre trancamos dentro de nós mesmos. Temos que mergulhar no passado sem os olhos de um otimista nostálgico, temos que analisar o impacto que cada pessoa que convivíamos teve em nossa vida e personalidade, assim, paramos de ouvir a voz deles e começamos a ouvir a nossa. Porque temos que ser melhores e deixar de ser apenas o que fizeram da gente.

Eu espero que você leia ou dê de presente este livro, como citei, ele é ótimo para essa época em que estamos mais sensíveis e propícios à reflexão.
Eu espero também que você saiba que não está nada bem para assim, conseguir ficar bem.