Só Os Animais Salvam, de Ceridwen Dovey

"Enquanto você não amar um animal, sua alma estará adormecida."
E digo que enquanto você não descobrir o que implica amar um animal, pouco saberá de si mesmo, dos outros e do que é um ser humano de fato. Este livro é sobre isso.
Quando o adquiri, apesar de ser da Editora Dark Side, achei que se tratava de contos infantis com animais dóceis nos dizendo tudo o que envolve uma história com moral.
No primeiro conto me surpreendi com a qualidade da escrita e com o tom real que foi desenvolvido, logo percebi que não se tratava de infantilizar animais nem impor moral, se tratava de contar uma história real e tudo o que isso implica: o peso, a leveza, a dor.
Terminei esse primeiro conto chorando muito e não consegui seguir com o livro. Decidi ler um conto por dia, assim deixando cada animal falar comigo por um dia inteiro. Cada conto pede reflexão.
Este livro nos ensina que amar um animal não é comprar um animal, adotar um animal, estar com animais ou deixar de comer animais. Amar um animal é ouví-lo, é saber ler o que ele está querendo te passar, mais importante: é saber a importância disso. É deixar de olhar para si como superior, como dono, como o que ensina e não mais precisa aprender; é aceitar sua natureza, seus erros e sua bestialidade. É tornar o espírito tão sensível ao ponto de entendê-lo e com isso perceber a diferença no próprio Ser.
"Receio que os animais considerem o homem como um ser da sua espécie, mas que perdeu da maneira mais perigosa a sã razão animal, receio que eles o considerem como o animal absurdo, como o animal que ri e chora, como o animal desastroso" — Nietzsche

 Quando digo histórias reais não falo de fato real, pois ainda não descobrimos exatamente o que os animais pensam, mas e se imaginarmos? Se nos colocássemos no lugar deles tão profundamente ao ponto de deixar de ser nós mesmos e nos tornássemos apenas naquele animal? É esse exercício que o livro nos propõe, e é nesse pensamento que acharemos a chave para abrir uma porta que nem sequer sabíamos que existia dentro de nós mesmos. A porta que Nietzsche abriu no último momento de lucidez da sua vida. Não é uma porta para um lugar agradável, a consciência do que temos feito com os animais e com o Planeta, cai sobre o que fazemos um com o outro. Não à toa, a maioria dos contos são ambientados em épocas de guerra. A dor de ter aberto essa porta da consciência e profunda compaixão é excruciante e ela não poderá mais ser fechada, tamanho o peso dela. Mas só a partir dessa porta podemos salvar alguma coisa, nem que seja nos salvar de nós mesmos.


Animais não são só cães e gatos, um mexilhão também é um animal!

Esse livro como podem perceber, se tornou algo pessoal, pois essa porta que contei a vocês eu a abri faz alguns anos e por isso o livro falou tanto comigo. Poderia também fazer uma resenha de cada conto, mas vou poupá-los. O que quero mesmo é que leiam esse livro, mas leiam não só com os olhos,  leiam com os ouvidos, com o olfato e com as batidas do coração, assim como os animais fazem quando estão prestando atenção em algo. Sejamos presentes como são os animais!

Para quem gosta de combinar leitura e música, indico o artista Danny Norbury e o album dele Light in August para este livro. 

2 comentários

  1. Essa capa é linda e ao ler sua resenha... Fiquei com mais vontade ainda de compra-lo. Talvez ele vire agora uma prioridade na minha lista de desejados! hahahaha

    Beijos de luz ♥

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  2. Oi, esse livro já esta na minha lista faz um tempinho. Gosto muito da história e essa o capa o que dizer é linda.
    bjs

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