Qui je veux faire quand tu seras grand?

domingo, maio 11, 2014

Eu sempre tive aquela vontade de me mudar; de deixar tudo para atrás, ir rumo ao desconhecido, me tornar uma nova pessoa. Desde pequena carregando o fardo de uma existência não planejada, uma existência que dói tanto quanto levar uma mordida ou um tiro. Sempre foi difícil aceitar quem eu sou, quem eu quero ser e quem eventualmente me tornarei. É como se eu não tivesse tido chances de escolher os caminhos e a vida simplesmente empurrasse qualquer um, fazendo com que eu me desmembrasse em quatro para conseguir passa-los.
Nunca fui dessas que acredita em destinos, em coisas pré meditadas, mas algo lá no fundo me dizia que eu devia passar por aquilo, passar por aquilo e entender o motivo, o real motivo de tanto sofrimento, de tanta dor e de tanta falta de paz de espirito. Não é fácil acordar todos os dias e sentir uma nuvem carregada em cima de você, é como se ela pesasse tanto que suas costas não aguentassem e você caísse. Agora imagina essa nuvem andando atrás de você e te perseguindo a cada passo que você da. É uma tamanha decepção esperar que o sol venha e a tire de perto de você, que a isole e você finalmente consiga receber a claridade do Rei do sistema solar.
 Não é fácil suprir a falta de amor e compaixão na vida, a solidão me corrompe e a cada sábado à noite eu me convenço de que ela é a melhor companheira. Não me trai, não me deixa, está em todos os momentos da minha vida. Sejam momentos de alegria, raros, mas muitas vezes intensos, sejam momentos tristes, estes que são mais constantes e sólidos. Talvez a solidão não seja ruim, eu - realmente acredito que não é, mas algo nela te faz querer correr, fugir, sumir... Algo nela de tão peculiar te faz querer simplesmente não querê-la. mais.
Não é como se todos os dias fossem assim tristes e acabados, há àqueles dias amenos, onde o frio arrepia os poros, o vento gélido roseia as bochechas e o aconchego dos casacos de te fazem se sentir mais quentinho por dentro. Mesmo que o coração esteja tão frio quanto o inverno rigoroso em 72.
 E eu fico pensando o que será da minha vida daqui para frente; tantos sonhos construídos a partir de momentos que nunca vivi, tanta vontade e ao mesmo tempo tanta incapacidade e desânimo. O que será de mim e da minha alma daqui pra frente? Daqui a alguns anos eu serei quem eu quero ser? E olha que eu não quero ser muito, apenas ser. Ser. Ser alguém amado, alguém respeitado, Ser alguém. Ser

Qui je veux faire quand tu seras grand?
qui soi-disant doit-je?
Je ne sais pas, madame.

Um comentário:

  1. Adoro ler sua dor suburbana existencialista pós-moderna. Não é niilismo, é um desejo de ser.

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.