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| RESENHA #159 | ARISTÓTELES E DANTE DESCOBREM OS SEGREDOS DO UNIVERSO, BENJAMIN ALIRE SÁENZ

23 fevereiro 2017

ISBN-10: 8565765350
Autor: Benjamin Alire Sáenz
Ano: 2014
Páginas: 392
Idioma: português
Editora: Seguinte
Gênero: Jovem Adulto
Nota: 5/5

Sinopse: Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão. Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas - e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.

A história é ambientada em 1987, na cidade americana de El Paso, Texas, que faz fronteira com o México, e é narrada sob o ponto de vista de Aristóteles, ou “Ari”.

Ari conhece Dante na piscina pública na cidade, aonde foi mesmo sem saber nadar. Dante se oferece para ser seu professor e, apesar de ser fechado a amizades e um pouco tímido, Aristóteles confia no outro garoto e aceita a oferta. A partir de então, suas histórias se entrelaçam cada vez mais.

Apesar de serem adolescentes, Dante mostra ser tudo “mais” que Ari. Dante é mais inteligente, mais seguro de si, mais espontâneo, mais corajoso, tem os pais mais legais (mas isso é só à primeira vista), lê mais livros… Enquanto Aristóteles não tem muita certeza de nada, seu pai ainda tenta superar traumas vividos na guerra e, por isso, não se abre muito com o filho, possui um irmão mais velho que está preso e é assunto proibido em casa, e não se dá muito bem com suas irmãs. Enfim, ambos possuem questões de vida muito diferentes.

“Será que todos os garotos se sentiam sozinhos? O verão não era feito para garotos como eu. Garotos como eu pertenciam à chuva.”

Com o passar do tempo, até os pais dos garotos se tornam amigos, fazendo com que eles se aproximem ainda mais. E, então, acontecem coisas que os fazem se afastar. Os garotos brigam, fazem as pazes, preocupam-se, sentem falta um do outro e vivem experiências juntos. Porém, a narrativa é ainda mais profunda que isso.

Dei cinco estrelas para o livro porque me senti muito envolvida com os personagens. O final, apesar de ser o que eu esperava, não foi como eu esperava, o que considero algo bom. Foi uma leitura extremamente gostosa. Possui momentos de reflexão interessantes e, apesar de ser relativamente curto, os personagens crescem muito com o passar das páginas.

Um livro que fala de várias maneiras sobre se conhecer e se aceitar, e sobre o fato de que, no fim, talvez o maior segredo do universo seja o amor.

“Aposto que às vezes é possível desvendar todos os mistérios do universo na mão de uma pessoa.”

| RESENHA #63 | A REBELDE DO DESERTO, ALMYN HAMILTON

29 julho 2016

 Título: A Rebelde do Deserto
 Autora: Alwyn Hamilton
 Ano: 2016
 Páginas: 288
 Idioma: Português 
 Editora: Seguinte
 Gênero: Fantasia
 Nota: 4/5

Sinopse: O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

Em A Rebelde do Deserto, somos levamos a conhecer e nos envolver na história de Amani Al'Hiza, uma garota órfã de dezesseis anos e ótima atiradora desde muito nova. Criada pelo tio e correndo o risco de ter que se casar com o mesmo, o sonho de se mudar para Izman se torna uma grande necessidade para Amani. Para conseguir juntar mais dinheiro a fim fugir da Vila da Poeira e de um casamento não desejado, a garota se aventura em um concurso de tiro na calada da noite em uma outra cidade do deserto. 

Amani não poderia adivinhar que esta noite se tornaria muito importante em sua vida, principalmente pelo fato de ter conhecido um forasteiro foragido do Exército do Sultão naquela noite, e o encontrado novamente na loja do seu tio, ferido e se escondendo, enquanto o Exército procurava por ele. Amani viu a chance de fugir mais facilmente da Vila da Poeira através de Jin, o forasteiro, e não mediu esforços para convencer o rapaz a ajudá-la. Assim, depois de alguns inconvenientes acontecimentos, os dois partiram para um aventura inimaginável no deserto.

Minhas impressões a respeito do livro foram muito boas, apesar de estar ansiosa para lê-lo, não criei expectativas tão altas em relação à ele. A história é muito intrigante, assim como os personagens principais e também os secundários. A narrativa é bem simples e fluída, não é muito rica em detalhes, mas cumpriu o papel de trama envolvente e com alguns mistérios adicionais. 

Gostei muito do romance não ser o assunto principal do livro, essa fato ajuda a aumentar a ligação do leitor com Amani e Jin, separadamente. Pois ambos os personagens possuem personalidades singulares e histórias muito interessantes. A bruta realidade do deserto quando se é mulher, órfã ou/e pobre, fica bem evidente no livro, mais um ponto excepcional e relevante. 

Por fim, devo dizer apenas mais algumas considerações finais, a fim de não dar spoilers sobre este livro. Amani é uma moça muito forte, apesar da idade, ainda um pouco imatura, mas vemos claramente a coragem e o anseio da jovem. Jin é um mistério gostoso de acompanhar e desejei saber mais dele, mesmo após o término do livro. Achei a história bem original e cativante, indico com tranquilidade para quem gosta de fantasia e não costuma criar tantas expectativas, já que este livro é um pouco mais simplório que outros do mesmo gênero.