O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett


Sempre acho que lemos certos livros - aqueles que são especiais - no momento certo, no momento em que mais precisamos e só damos conta disso um tempo depois. O Jardim Secreto foi para a lista de favoritos, não podia ser diferente, o filme era o meu preferido quando criança. Aquela mágica tão confortante que senti e sentia sempre quando pensava no filme, pude reviver agora como adulta lendo o livro. Ele é lindo, fisicamente falando, as ilustrações feitas pela Júlia Sardà são únicas, combinou muito com o estilo da história, é aquele livro que dá dó de ler de tão lindo que é.
A protagonista Mary não cansa de encantar e ensinar, com sua cara feia e seu jeito rabugento de ser, e  assim como ela, este livro é para os rabugentos, os mimados, os que revivem seus traumas todos os dias e que não tiveram amor.
O Jardim Secreto lembra a importância de estarmos conectados com a Natureza, de quanto nos é importante a terra, as plantas, os animais e as pessoas certas. Mesmo sendo um livro do começo do século passado, ele é ainda atual pois mais do que nunca estamos tão longe da essência do ser e afundando no próprio ego. O personagem Colin é a personificação da depressão, dos transtornos, luto e traumas e que de uma forma histérica, faz com que todas as pessoas em volta dele sofra. Mary é a heroína que diz a ele o que ninguém tem coragem de dizer, coisa que só alguém bem antipático tem coragem de fazer.

Gente egoísta que diz isso. Chama de egoísta todo mundo que não faz o que eles querem.
Quando estamos tão focados na dor, esquecemos das coisas que nos fazem bem, e se elas não existem, temos que criá-las. O Jardim Secreto para mim é isso, temos que ir de mau humor mesmo, feito a Mary, sair e andar, e procurar a chave para o Jardim, criar ou reviver nosso próprio jardim de coisas belas, nosso segredo que só compartilhamos com as pessoas certas, rir brincar e meditar no jardim, mas lembrar de falar baixinho pois ele é secreto.

A felicidade é um Jardim.

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