Entrevista com o autor do livro "Os Invernos da Ilha" - Rodrigo Duarte Garcia

Olá leitores,

Hoje trago uma pequena (mas muito legal) entrevista com o autor do livro "Os Invernos da Ilha", Rodrigo Duarte Garcia. Eu gostei muito da obra e se você acompanha o blog e minhas redes sociais, sabe bem disso, inclusive você pode conferir a resenha feita só clicando aqui. Espero que vocês conheçam mais o autor e se interessem pela história, pois ela vale MUITO a pena. Vamos lá?

[Anne] 1. Como foi a formação da ideia para escrever Os Invernos da Ilha? "Você acordou em um dia e simplesmente tinha uma sinopse" ou foram pequenos fragmentos de ideias que no conjunto formaram essa história?

[Rodrigo] A imagem da ilha veio primeiro: gelada, areias brancas, descampados verde-claros, o mar cinzento. Sant'Anna Afuera é fictícia, mas foi inspirada numa ilha chilena verdadeira, por onde passou Olivier van Noort em 1600. Fiquei curioso sobre a história dele e, a partir daí, os diversos fragmentos se ordenaram aos poucos: o mosteiro, o Buen Jesús, Florian e o tesouro.

[Anne] 2. Durante a leitura, senti que você pesquisou bastante para criar a história, principalmente acerca do diários do Olivier e a descrição da ilha. Foi difícil o trabalho de construção dos personagens e da ilha em si?

[Rodrigo] A pesquisa foi uma parte deliciosa, enquanto eu escrevia "Os Invernos da Ilha": traduzi o diário verdadeiro de Olivier van Noort - o facsímile da edição de 1612, em francês -, li sobre navegações antigas, cosmologia dos nativos chilenos, fauna e flora locais, mas também me diverti inventando um monte de coisas. Num romance, a verossimilhança é importante, mas não pode virar obsessão - sob o risco de tornar o livro e o processo de escrevê-lo menos divertidos.

[Anne] 3. Como foi conciliar o seu trabalho como advogado e a escrita/produção do livro?

[Rodrigo] Foi fácil. Afinal, o que eu faço da meia-noite às seis? Mas, falando a sério, levei quase oito anos para escrever o livro, pesquisando, reescrevendo, mas sempre me divertindo. "Os Invernos" foi uma espécie de exílio, de refúgio, e na fase final a disciplina foi fundamental: eu separava uma determinada hora do dia para escrever e cumpria aquilo religiosamente, nem que fossem apenas 45 minutos ou meia hora.

[Anne] 4. Você tem algum autor "ídolo" no qual se inspirou para adotar o seu estilo de escrita?

[Rodrigo] É difícil dizer um só: de Machado a Monteiro Lobato, Jane Austen, Stevenson, Melville, Conrad, Patrick O'Brian, Raymond Chandler, Rex Stout, Tolstoi, até poetas como Bruno Tolentino, Coleridge, Yeats, Montale...

[Anne] 5. Quais são seus futuros projetos como escritor?

[Rodrigo] Escrever um próximo romance que misture uma família aristocrática brasileira, paisagens bonitas, um poema perdido de Álvares de Azevedo, uma relíquia cristã mandada para o Brasil com medo de Napoleão, o Terceiro Segredo de Fátima, dúvidas metafísicas, talvez alternando o tempo presente com os anos 50 na Europa, enfim - ainda estou terminando de organizar tudo para começar a escrever. Depois disso, um livro com histórias de fantasmas. E também gostaria de escrever um Western :)

[Anne] 6. Você acha que autores nacionais perderam o espaço para autores internacionais donos de best sellers? Aproveitando o gancho, você ainda sente que há uma dificuldade de autores brasileiros se destacarem no mercado?

[Rodrigo] Acho que parte da literatura brasileira vinha ficando muito auto-referente, deixando em segundo plano a premissa de que enredos interessantes são essenciais. O prazer de ler e contar histórias é essencial. Mas isso vem mudando e sou bastante otimista com os novos autores nacionais.

[Anne] 7. Para concluirmos, você gostaria de deixar alguma mensagem para seus leitores?

[Rodrigo] Só mesmo agradecer. É muito legal perceber que aquele universo que eu criei de alguma forma se incorpora à vida das pessoas. Fico feliz por ler ou ouvir as reações positivas, que alguém teve ciúmes ou saudades dos personagens, economizou as páginas para que o livro "durasse mais", enfim, que expandiu a própria imaginação e memórias com "Os Invernos da Ilha".

17 comentários

  1. Olá, eu já li algumas resenhas acerca desse livro e achei a entrevista com o autor muito interessante. Claro que fiquei ainda mais curiosa para fazer essa leitura. Adorei saber que ele já tem vários projetos futuros como escritor (irei adorar ler as histórias sobre fantasmas). Desejo muito sucesso em sua trajetória.
    Beijos, Fer

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  2. Oi Anelise, tudo bem?
    Já tinha ouvido falar do livro do autor, mas nada detalhado. Apesar de não conhecer sua obra, gostei de conferir a entrevista que você realizou com ele. Achei bem legal o fato dele ter pesquisado bastante para produzir o livro e no meio de tudo inserir sua própria imaginação, são poucos os autores que conseguem fazer isso. Fiquei impressionada ao saber que ele levou quase 8 anos para escrevê-lo devido a falta de tempo e mesmo assim conseguiu organizar as ideias. Eu ficaria completamente perdida, haha. Espero ler o seu livro um dia.

    Beijos! ♥

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  3. Oi Anne
    Confesso que já estava curiosa para ler esse livro e depois de ver essa entrevista tão bacana, fiquei com mais vontade ainda.
    Gostei muito das respostas do autor, principalmente de saber que a ambientação foi a primeira inspiração.
    Adorei.
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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  4. Olá Anne,
    Adorei a entrevista.
    Já havia ficado curiosa com essa leitura depois de ter lido sua resenha, agora estou ainda mais!
    O autor levou 8 anos para escrever o livro? Meu Deus, isso é muito tempo! Uma coisa legal que ele disse foi ter se divertido durante a escrita. Deu para notar que isso não se tornou uma obrigação ou obsessão.
    Parabéns pela entrevista!
    Beijos,
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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  5. Oi!
    Parabéns pela entrevista com o autor!
    Vi a resenha dele esses dias e fiquei um pouco curiosa com o livro, mas nem tinha reparado que o autor era nacional.
    É sempre bacana poder conversar com o autor de um livro que gostamos, e saber de suas inspirações para a obra

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  6. Oiee ^^
    Uau, deu para ver que o autor pesquisou MUITO para escrever o livro, e imagino que a sensação de criar uma ilha fictícia deve ser incrível! Já fiquei curiosa para ler o próximo livro do Rodrigo, tanto a história de fantasmas quanto o da família aristocrata brasileira.
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  7. Oi Ane!
    Fico muito contente quando leio algo sobre autores nacionais e vejo o quanto estão ganhando espaço no mundo literário ( e diga-se de passagem com obra muito boas) ;)
    Fiquei muito curiosa sobre o livro que mistura fatos reais com a imaginação do autor... mistura perfeita!

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  8. Ainda não conhecia o autor, vi umas resenhas do livro mas ainda não peguei-o em minhas mãos.
    A melhor parte da literatura nacional contemporanea é poder conversar com o autor, eu sou tiete assumida e sempre leio entrevistas e interação autor-leitor. Fico em êxtase qdo o autor entra em contato comigo, seja Skoob ou twitter ou o que for. O Rodrigo parece ser um fofo que responde msg em redes sociais. Se a sinopse dos Invernos da Ilha não fosse tão interessante só de saber que o autor é aberto a conversa já me animaria a ler tbm. Adorei a entrevista que não é pequena e sim com perguntas boas e essenciais ;)

    http://blogmundodetinta.blogspot.com.br/

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  9. Adorei a entrevista, sensacional! O autor me pareceu bem simpático, humilde e inteligente. Já queria ler Os Invernos da Ilha, agora quero ainda mais. Ah, eu li sua resenha sobre o livro e gostei MUITO de saber tuas considerações sobre ele.
    Beijos!

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  10. Olá!
    Que entrevista incrível!
    Eu tenho visto várias resenhas positivas sobre esse livro e inúmeros comentários elogiosos sobre esse mundo que Rodrigo criou.
    Eu adorei a entrevista, gostei de saber mais sobre o processo de criação da obra, isso da imagem vir primeiro e o fato dele ter se inspirado numa ilha verdadeira do Chile, achei super interessante.
    O autor parece ter bastante coisa boa para nós no futuro. Quero muito ler Os Invernos da Ilha, essa entrevista só me deixou com mais vontade, o autor é gente boa demais!
    Ótima entrevista!
    Beijos!

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  11. Olá!!!
    Não conhecia o autor e nem seu livro e curti bastante a entrevista e também ficar sabendo um pouco sobre o autor,fiquei bem curiosa sobre a estória e já vou dar uma olhadinha na resenha :)

    http://livroaoavesso.blogspot.com.br/2016/06/no-seu-olhar-nicholas-sparks.html#comment-form

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  12. Olá!
    Já tinha lido a sua resenha sobre este livro do autor e adorei a história e fiquei muito interessada em ler também. Gostei muito também de conhecer um pouco mais sobre o autor e em quem ele se inspira em suas obras.
    Beijos.

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  13. Oi Anne, tudo bem?
    Adorei a entrevista, eu já tinha visto o livro e já estava bem curiosa com ele, imagina agora que conheci um pouco do autor? Muito inspirador e cativante, com toda certeza irei ler a obra dele o quanto antes!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/?m=1

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  14. Olá!
    Achei o autor muito simpático e vejo que ele despeja toda sua atenção na hora que está criando um livro. Isso é muito bom pois o livro chega ao leitor com perfeição.
    A entrevista está maravilhosa.
    Beijinhos!

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  15. Pelas respostas do autor já fico imaginando o seu tipo de narrativa, amei a entrevista, fiquei surpresa pelo tempo que a obra demorou para ser escrita, agora fiquei totalmente ansiosa, deve ser um livro fantástico e rico de informações, concordo com a resposta dele sobre os autores nacionais e quero que lance logo esse livro que ele falou, essa mistura toda me chamou atenção

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  16. Oi, tudo bem?
    Eu não conhecia o autor e nem o livro, mas fiquei animada, porque gosto quando sentimos que o autor pesquisou realmente e deu seu máximo para construir uma boa historia, e é o caso desse livro, né? Não sei quando lerei, já que não é do tipo que eu costumo ler, mas fiquei curiosa e desejo sucesso ao autor.

    Beijos :*

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  17. Oi Anne,
    não conhecia o autor ou sua obra, mas já gostei, nossa fiquei impressionada com a disciplina e a determinação dele para escrever o livro, acredito que tenha ficado maravilhoso, afinal oito anos de dedicação deve ter permitido ao autor lapidar a obra e deixá-la tal como devia estar para ser um excelente trabalho.

    Abçs
    Nosso Mundo Literário

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