O amor que sinto agora, de Leila Ferreira


O amor que sinto agora, da mineira Leila Ferreira, era o livro do qual eu estava precisando ultimamente, sem exageros. Esse romance, fortemente autobiográfico, publicado pela editora Planeta, é uma história linda de amor, perdão, coragem e muito, mas muito crescimento pessoal. Seu caráter confessional, fortalecido pelo formato em cartas e a narrativa muito íntima e poética da protagonista, aproximam rapidamente o leitor. Fui fisgada com imensa facilidade.

Quatro anos depois de perder a mãe, a jornalista Ana decide abrir uma carta deixada por ela para que fosse lida após a sua morte. O desejo de dar uma resposta às palavras da mãe é a força-motriz que constrói O amor que sinto agora: pouco a pouco, de carta em carta, Ana vai nos revelando a história das mulheres de sua família, incluindo a dela própria. Bisavó, avó, mãe, filha: todas estão profundamente ligadas pelas dores familiares, amores que deram errado, sonhos dourados e muita, muita vontade de ainda ser feliz, apesar de todos os pesares.

Ao passo que vai retomando a história da mãe e das mulheres que vieram antes dela, Ana vai contando sobre sua própria trajetória, com o desejo de quebrar o silêncio de uma vida inteira para com a pessoa que ela mais amava no mundo, mas de quem escondia muita coisa, justamente porque não queria deixá-la mais infeliz do que a vida dura já a fizera. Assim, ela revela um casamento fracassado, a violência sexual sofrida e a depressão. Até esse momento, parece tudo muito triste: mas não vai ficar assim. Ana carrega em si não só a dor, mas também a força imensa das mulheres de sua família. E é com essa força que ela resiste e começa a se reconstruir.


Ficha Técnica:
Título: O amor que sinto agora | Autor: Leila Ferreira | Ano: 2018 | Páginas: 256 | Idioma: português | Editora: Planeta

É por volta da metade do livro que se começa a ver a protagonista reagir a todo aquele passado doloroso que ela havia contado. De Minas Gerais, para São Paulo, para a Cidade do México, e então de volta ao Brasil, depois de outro duro golpe que foi o falecimento da mãe, Ana – ou Leila – começa a se reerguer. Com a ajuda da terapia e o cuidado de amigos, ela começa a superar, de pouquinho em pouquinho, as dores da alma que a afligiam. Não é a primeira vez que leio um livro que trata de transtornos mentais, mas, felizmente, mais uma vez posso me ver muito satisfeita com a maneira sincera que tudo foi relatado e como a narradora ilumina sua história com a esperança que vai se desenvolvendo e levantando-a daquele estado falsamente eterno de tristeza em que ela havia caído – este que conheço muito bem.

Quando Ana se sente esperançosa, começamos a nos sentir esperançosos com ela. Torcemos por sua recuperação e celebramos cada pequeno passo que ela faz rumo à liberdade, seja começar a usar roupas mais coloridas ou tomar a coragem de largar seu emprego e fazer uma viagem internacional. Sozinha, ela decide voltar ao México, visitar o Egito e a França; e vai relatando tudo isso, seu processo de cura espiritual, nas cartas que continua escrevendo para a mãe. Com cada correspondência, a mágoa vai ficando para trás e a felicidade começa a espreitar entre as linhas, como a luz calorosa do sol que entra pelos espaços entre as persianas. 

O amor que sinto agora é uma leitura simples, mas profunda, sobre reconstruir o amor pela vida e por si própria. Me sinto engrandecida toda vez que leio um romance que joga na minha cara aquilo que eu já sei, mas às vezes esqueço: nós, mulheres, somos incrivelmente fortes e senhoras de nossos próprios destinos. Que a gente possa sempre se reerguer e se fortalecer, mesmo quando as dores da vida, da violência e da opressão nos jogam para baixo, assim como Ana fez. Recomendadíssimo!


Ah, mãe, o filme que vejo é infinito. E, mesmo quando triste, é de uma beleza pungente, uma beleza que cura o espanto da alma e levanta a sombra do olhar.

7 comentários

  1. Oi, tudo bem?

    Fico feliz por ter gostado do livro. Eu particularmente amo livros com esse enredo, principalmente quando a personagem tem uma evolução tão grande, eu costumo viver a história junto com as personagens, e começo a refletir sobre o assunto, o que acho ótimo. Com certeza vou ler esse livro, já está na minha lista de desejados.

    Beijinhos!!

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  2. Tudo bem?
    Não conhecia o livro.
    Me parece bastante reflexivo. Não sei se é o tipo de leitura que procuro no momento, ainda assim vou anotar a dica. Pois o tema me agrada.

    Beijos.

    www.alempaginas.com

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  3. Oi Rafa!

    Tudo bem? Eu acho, mas não tenho certeza, que vi esse livro por aí, mas confesso que nem a sinopse cheguei a ler, então a sua resenha é meu primeiro contato com esta obra.

    Gosto bastante de livros mais profundos, sempre acabam me proporcionam reflexões maravilhosas e vejo que esse livro causou exatamente isso em você Rafa e por isso estou definitivamente curiosa. Espero poder conferir em breve e claro que já foi pra minha wishlist!

    Beijinhos - Jessie
    www.paraisoliterario.com

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  4. Oii!!


    Rafaela, não conhecia o livro e gostei muito do enredo, contudo esse não é o momento para ler esse estilo literário. Fiquei feliz por ver a recuperação dela, sua autoestima e saber que ela consegue, mas preciso de um emocional mais "concreto" para iniciar esse estilo de escrita.

    Obrigada pela dica.

    beijos!

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  5. Oi...
    Antes de falar qualquer coisa sobre o livro eu tenho que te dar os parabéns por esse resenha completamente apaixonada e envolvente.

    Não conhecia o livro e nem a autora para falar a verdade. Pelo que disse, acho que é o tipo de livro que eu ando precisando também. Adorei a historia é a essência da historia.

    Beijos

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  6. Olá, Rafaela!

    Nossa! Preciso desse livro para ontem! E sua resenha está simplesmente maravilhosa! Parabéns! Ela me fez sentir um pouco da história, da personagem, de sua vida.

    A vida é muito complicada. Às vezes parece que ninguém se sente como a gente, que ninguém pode compreender a dor que sentimos, a tristeza que vem, as dúvidas sobre o futuro, o medo, as decepções e mágoas... aquilo que guardamos dentro de nós. Muitas vezes fico triste, pensando e pensando... Encontro sempre nos livros um refúgio. Um escape da vida real e todas as suas exigências. Têm vezes que a dor é mais forte que tudo, que a tristeza parece que não vai passar, mas sempre passa. E encontramos dentro de nós a força para seguir em frente. Porque somos guerreiras desde o início dos tempos. A gente pode até cair, mas levanta depois. E mesmo chorando conseguimos sorrir.

    Bjs!

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  7. Olá!
    Tenho visto bastante lançamentos com essa temática e fico contente por ver que a leitura é fluida e bem profunda. Nos permitindo refletir sobre a vida e mergulharmos na essência da personagem.
    Com uma resenha dessas e essa capa linda é impossível não querer adicionar na lista de leituras.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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